Educação financeira para crianças

Falar sobre dinheiro com criança pode ser complicado, a educação financeira não é uma rotina no universo infantil e muitas vezes nem no dos adultos.

Mas se é de pequeno que se aprende, podemos dizer que isso facilita, já que a relação com o dinheiro é algo para a vida toda. É nele que se baseia sonhos e conquistas.

Um bom futuro financeiro é um sonho que pode se concretizar e sabendo cuidar das finanças no presente, pode-se ter uma vida mais tranquila.

E hoje, essa tarefa é até dividida com os pais, já que algumas escolas já incluíram em suas grades educacionais o tema, mostrando às crianças a importância da educação financeira desde cedo.

A Dina Prates, que há 5 anos trabalha como consultora e educadora financeira, nos concedeu a entrevista abaixo a respeito do assunto!

KING – Qual é a importância de ensinar educação financeira para crianças desde cedo?

Dina – Na minha opinião, quando ensinamos educação financeira na infância estamos incentivando o desenvolvimento da responsabilidade financeira desde cedo. O maior resultado disso será percebido na adolescência e na fase adulta, pois as pessoas conseguirão tomar decisões com maior base, estabelecendo hábitos financeiros mais saudáveis.

O desafio na adolescência/fase adulta é que a maior parte da população nunca recebeu orientações de como lidar com seu dinheiro, dessa forma a probabilidade de entrar em dívidas por um consumo impulsivo se torna bem grande, por isso esse conhecimento na infância previne muitos problemas futuros. Além disso, a educação financeira para crianças auxilia no desenvolvimento da distinção entre desejos e necessidades, isto é, possibilitando que essa criança tenha maior compreensão das capacidades financeiras da família, entendendo limites e possibilidades.

KING -Como podemos abordar o tema do dinheiro com crianças de diferentes faixas etárias?

Dina – Na minha metodologia de trabalho, abordamos uma perspectiva de educação financeira comunitária que prioriza trabalharmos a nossa relação com dinheiro de forma coletiva e transparente. Dessa forma, abordar o tema dinheiro com toda a família em diferentes idades é essencial, pois podemos envolver os pequenos nos planejamentos de compras de supermercado, na hora de organizar as finanças da casa, explicando a importância do trabalho e o significado do dinheiro.

Muitas crianças ainda não compreenderam o uso do dinheiro, dessa forma inserir histórias, jogos lúdicos e ilustrativos, simulando situações do cotidiano, atividades que remetem ao exercício de comprar e organizar as finanças pode ser um caminho. Além disso, atualmente temos uma gama de aplicativos com atividades interativas que auxiliam nesse processo educativo.

KING – Que tipos de atividades práticas podem ser incorporadas ao ensino de educação financeira para crianças?

Dina – Dependendo da idade da criança podemos sugerir diferentes atividades.

  • Para crianças menores entre 3 a 5 anos: jogos de compras, a introdução do porquinho (incentivar a poupança pode ser um caminho).
  • Para crianças entre 6 a 10 anos que estão na escola, jogos em aplicativos, jogos em família, a implementação da mesada e do quadro dos sonhos.
  • Para crianças maiores, a partir dos 11 anos, já é possível utilizar bancos digitais para direcionar a mesada, orientar sobre o uso do dinheiro, envolvendo-os na hora de realizar o planejamento financeiro da casa, incentivar e estimular o investimento através de pequenas metas financeiras, envolver nas tomadas de decisões das compras de supermercado e de tarefas simples da casa. Além de abordar a organização através de conteúdos mais aprofundados, com simulações, jogos e exercícios.

KING – Como lidar com situações em que as crianças querem gastar dinheiro em algo que consideramos inadequado ou fútil?

Dina – O importante nesses casos é sempre iniciar uma conversa, explicando as razões da compra ser inadequada, ou até explicar os limites do orçamento. Sabe aquela velha frase: “Nem adianta, eu não tenho dinheiro?” Muitas crianças ouvem isso, mas não entendem o que isso significa, nem qual é o impacto que os pedidos que elas fazem tem na vida financeira dos pais, por isso que o diálogo é primordial.

Ensine as crianças sobre o que é prioridade, exemplificando com itens que ela deseja obter ou ganhar, abordando as consequências dessa escolha impulsiva. A família estará envolvendo as crianças nas decisões e contribuindo no aprendizado coletivo. já passou o tempo que afirmavam: ” Dinheiro é assunto de pessoas adultas”. Atualmente, todos devem ter entendimento, para aprender a ter melhores escolhas.

KING –  Como os pais podem modelar comportamentos financeiros saudáveis para seus filhos, e incluir a questão de como priorizar seus desejos ?

Dina – Uma das formas de modelar o comportamento financeiro das crianças é estabelecendo algumas atividades que dê autonomia para a criança escolher, orientando sobre os impactos dessas escolhas. Desde cedo, grande parte das crianças já estão conectadas a internet, isso é uma exposição a milhares de produtos, despertando desde cedo o desejo de compra, por isso faça um quadro dos sonhos para a criança ilustrar o que deseja ter. Nesse quadro, a família pode inserir valor, desenhos, imagens, um tempo que é necessário para conquistar e atingir aqueles sonhos.

Nos momentos estratégicos retome a importância do quadro e das lições de organização financeira, tornando o tema com mais naturalidade no cotidiano familiar. Quanto maior for o envolvimento da família, maior serão os resultados, por isso os pais também precisam se educar financeiramente, para rever os seus hábitos financeiros, eles serão as maiores referências das crianças.

KING – Como podemos tornar as lições de educação financeira divertidas e envolventes para as crianças?

Dina – As crianças adoram brincadeiras, a família deve explorar diferentes formas de inserir esse conteúdo de um jeito lúdico e divertido. Apesar das correrias do cotidiano, utilizar jogos em famílias, como jogo da vida, banco imobiliário e jogos semelhantes, a família determina um momento no cronograma mensal para periodicamente fazer essas atividades.

Além disso, explorar simulações e perceber como está a tomada de decisões, incentivando a autonomia nas compras de mercado e trazendo dicas de economias, em que o resultado seja revertido para a criança. Uma forma de tornar o ambiente mais competitivo, mas de uma forma saudável, é estabelecer pequenas metas que precisam ser cumpridas, de preferência coisas que envolvam a família toda. Não existe uma fórmula fechada, pois cada família deve sempre adaptar as necessidades da sua rotina e dia a dia.

Dina Prates
Sonhadora na prática, Dina atua na área financeira há 5 anos, como consultora e educadora Financeira, ministrando cursos e palestras na área das finanças pessoais e gestão financeira. Em 2018, criou o curso de educação financeira UJAMAA, que tem por objetivo construir uma perspectiva de educação financeira comunitária, ensinando pessoas físicas e pessoas empreendedoras a gerir seus recursos. Mestra em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2021). Graduada em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Metodista do Sul- IPA (2013) e em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2017). Educadora Financeira formada pelo Centro Educacional DSOP- São Paulo. Pós-graduanda em Finanças, Investimentos e Banking – PUCRS. Sócia fundadora do Espaço Interdisciplinar Estrela Preta.

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