Gestão financeira

O termo gestão financeira, ou administração financeira, tem um peso que muitas vezes assusta o pequeno empresário. Independentemente do tamanho da empresa, o que deve ser levado em consideração é ter uma boa gestão financeira, pois é ela que vai dar o conhecimento real dos recursos existentes para que sejam tomadas decisões estratégicas dentro do planejamento, incluindo novos investimentos. 
A King Contabilidade convidou Weniston Ricardo Abreu, Coordenador o Núcleo de Educação e Orientação Financeira da Unidade de Capitalização e Serviços Financeiros no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE Nacional, para um breve bate bola.
King – O que é gestão financeira?
Weniston – É a forma que a pessoa, o empresário, no nosso caso, obtém o melhor resultado, o melhor lucro, nas atividades da empresa. Para isso, é necessário reunir as informações e ações relacionadas a diversas áreas como planejamento, execução, análise e controle das atividades financeiras – o que entra e o que sai do caixa da empresa.
Nesse aspecto, o primeiro passo que o empreendedor precisa dar é aprender a separar as contas pessoais das contas da empresa. Esse é um dos problemas mais corriqueiros no universo dos pequenos negócios. É muito comum que pequenos empreendedores misturem as contas da pessoa física com as da pessoa jurídica.
Olhando para o Microempreendedor Individual, a situação é alarmante. Numa pesquisa feita em 2018, vimos que 77% deles nunca fizeram um curso ou treinamento em finanças. Além disso, a pesquisa revelou que o velho caderninho ainda é o meio preferido dos MEI para registrar seus gastos (50% dos entrevistados). Já 48% não fazem previsão de gastos e 39% não registram todas as receitas para fazer o controle das entradas de dinheiro. Por isso, é muito importante que o empreendedor procure ajuda, antes que seja tarde demais.
King – Qual a importância da gestão financeira nas pequenas empresas?
Weniston – Digamos que uma boa gestão financeira é o motor da empresa. No dia a dia, é aquilo que te dá a possibilidade de fazer a administração das entradas e saídas das vendas, da prestação de serviços, dos pagamentos de fornecedores, salários, tributos, entre outros.
Se você pensa em expandir, modernizar, será a gestão financeira que vai determinar o tamanho dos investimentos que poderá fazer e até onde ir. Por fim, quando ocorre alguma crise, é a gestão que possibilita que você discuta prazos com clientes e fornecedores, as dívidas, enfim, te ajuda a fazer escolhas difíceis em situações difíceis.
Se capacitar é o melhor caminho para o dono do pequeno negócio. Ele precisa ter um pouco de conhecimento de vários aspectos relativos à administração, tais como custos, formação de preços, recursos humanos e marketing. Administrar dinheiro exige tempo, dedicação e, principalmente, conhecimento.
King – Quando se deve implantar?
Weniston – De preferência, logo no início. O Sebrae avalia com frequência a questão da Sobrevivência das Empresas no Brasil, e a pesquisa realizada em 2021 mostra que mais de um terço das novas empresas de microempreendedores individuais fecham em dois anos. Já entre as microempresas, o índice é de 18% e entre as Empresas de Pequeno Porte (EPPs), 13%.
Uma das principais razões para esta situação é a falta de planejamento do negócio e a gestão dele, que passa diretamente pela gestão financeira. Um monitoramento sistemático das finanças permite que nos momentos de crise, ainda que sejam imprevistos, seja possível tomar decisões que não comprometam o fluxo financeiro.
Por isso, a gestão financeira deve estar inserida desde o primeiro momento em que se decide abrir o negócio. É como na vida pessoal: a vida financeira da micro e pequena empresa tem tudo para ser saudável se o empreendedor agir de forma preventiva.
King – Quais seriam os pontos mais importantes?
Weniston – Aqui no Sebrae, costumamos orientar sobre cinco os pilares fundamentais para fazer uma gestão financeira qualificada do negócio. O primeiro é planejamento. É importante fazer um levantamento de todas as despesas previstas nos próximos três meses. Projete também as receitas (o que vai receber) e uma possível queda do faturamento. Na sequência, passe para o ajuste. Nesta fase, já com os recursos financeiros organizados você passa a entender, de forma clara, o que precisa fazer para melhorar as suas finanças e superar as dificuldades. Isso permite cortar gastos em um momento de queda do faturamento, por exemplo. Em terceiro lugar, renegocie as despesas que têm maior impacto, como aluguel, fornecedores, financiamentos (taxas e prazos).
Buscar alternativas para fazer o faturamento crescer é o quarto ponto. Uma importante dica é fazer combos, promoções, para que o seu estoque volte a movimentar, principalmente aqueles produtos que estão parados há algum tempo. Além disso, utilize as ferramentas como o Instagram e o WhatsApp para aumentar as vendas. Por último, atente-se ao fluxo de caixa, porque ele permite apurar e projetar o saldo disponível para que exista sempre capital de giro, para aplicação ou eventuais gastos. Realize a gestão do fluxo de caixa da empresa, considerando as receitas e despesas previstas para não correr o risco de não ter dinheiro para pagar seus compromissos.
KING-  Sem gestão financeira, qual é o risco no crescimento ou mesmo a sobrevivência de uma pequena empresa?
Weniston – Como disse anteriormente, não há tempo a perder, pois o risco é muito grande de fechar a empresa nos primeiros meses ou anos, ou entrar em uma dívida maior para continuar com a empresa aberta. Pensando nos empresários que não têm esse conhecimento em gestão financeira e em tantos outros pontos necessários para uma boa administração, o Sebrae disponibiliza mais de 130 cursos on-line, de graça, e até capacitações por meio do WhatsApp. Isso permite que as pessoas, ao abrirem um negócio, possam se qualificar e não ter problemas mais à frente.
Weniston Ricardo: É mestre em Sistemas de Gestão pela Universidade Federal Fluminense – RJ. Possui MBA em Gestão de Negócios e Tecnologia da Informação pela Fundação Getúlio Vargas – RJ, pós-graduação em Marketing pela Universidade Estácio de Sá – RJ, graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal Fluminense – RJ. Atualmente Coordenador o Núcleo de Educação e Orientação Financeira da Unidade de Capitalização e Serviços Financeiros no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE Nacional.

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