Setembro Amarelo é o mês dedicado à prevenção do suicídio. Convidamos a psicóloga e professora universitária, Maria Carolina Lucena, para esclarecer dúvidas e conscientizar as pessoas sobre o suicídio, bem como evitar o seu acontecimento.

Maria Carolina Lucena
KING: Como diagnosticar uma pessoa que tem comportamento suicida?
Maria Carolina: Diagnosticar comportamentos suicidas é uma tarefa delicada e que requer uma abordagem cuidadosa e compreensiva por parte do profissional, essa avaliação deve ser feita por profissionais de saúde mental qualificados, como psicólogos, psiquiatras. Mas há alguns sinais de comportamento suicida que ajudam a direcionar o cuidado com o paciente, como: declarações verbalizadas do tipo “Seria melhor se eu não estivesse aqui”, comportamento de risco, por exemplo abuso de substâncias, mudança de humor, sentimentos de desespero e mudanças comportamentais.
“Lembrando que isso não ausenta o cuidado psíquico do sujeito, esses sinais só direcionam o cuidado e são uma fonte de alerta”. BUSQUEM UM PROFISSIONAL.
King: Qual tratamento indicar para quem tem comportamento suicida?
Maria Carolina: Um ponto importante para qualquer tratamento é que ele precisa ser individualizado, sua condução vai se basear na singularidade do sujeito.
- Intervenção imediata: Se o risco for alto e o sujeito estiver em crise, a intervenção imediata é crucial e faz toda a diferença para estabilizar o paciente. Isso pode envolver a criação de um plano de segurança, monitoramento mais intenso ou encaminhamento para serviços de emergência, como Caps e hospitais.
- Tratamento: A pessoa pode precisar de tratamento psicológico, psiquiátrico ou uma combinação de ambos. O suporte contínuo é essencial para avaliar o progresso e ajustar o tratamento conforme necessário.
- Envolvimento da família e Rede de Apoio: Trabalhe com a família e amigos para garantir que a pessoa tenha uma rede de suporte sólida.
KING: No Brasil, o suicídio já é reconhecido como um problema de saúde pública. O que está sendo feito em prol desta questão?
Maria Carolina: Algumas das principais iniciativas e estratégias que estão sendo implementadas para prevenir o suicídio e apoiar aqueles que estão em risco (essas iniciativas não podem apenas acontecer no setembro amarelo, ainda precisamos falar mais sobre saúde mental) são:
- Setembro Amarelo: É uma campanha nacional de prevenção ao suicídio que ocorre anualmente em setembro. Promove a conscientização, desestigmatiza a discussão sobre saúde mental e oferece informações sobre como buscar ajuda.
- Centro de Valorização da Vida (CVV): O CVV é uma organização não governamental que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio. Eles disponibilizam um serviço de apoio emocional gratuito e confidencial, 24 horas por dia, por telefone, chat e e-mail.
- Capacitação de Profissionais: Cursos e treinamentos para profissionais de saúde, professores e outros agentes comunitários para identificar sinais de risco e oferecer suporte adequado. Esse ponto ainda precisa ser melhorado, vejo que ainda é difícil falar sobre saúde mental no meio da saúde e profissionais.
- Serviços de Saúde Mental: Fortalecimento dos serviços de saúde mental, incluindo CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), que oferecem atendimento especializado e suporte contínuo para pessoas com transtornos mentais.
- Educação e Sensibilização: Inclusão de temas relacionados à saúde mental e prevenção do suicídio nos currículos escolares e programas de educação para promover a consciência desde cedo. Esse ponto ainda precisa ser melhorado.
KING: Como ajudar uma pessoa sob o risco de suicídio? O que não se deve fazer?
Maria Carolina: Para ajudar alguém em risco de suicídio, é importante:
- Ouvir Ativamente: Esteja presente e ouça sem julgar. Mostrar empatia e compreensão pode fazer uma grande diferença.
- Encaminhar para Ajuda Profissional: Sugira buscar apoio de um profissional de saúde mental e ofereça-se para ajudar a encontrar um especialista.
- Manter Contato: Fique em contato regularmente para mostrar que você se importa e está disponível.
O que não se deve fazer:
- Minimizar os Sentimentos: Evite dizer coisas como “Vai passar” ou “Outras pessoas têm problemas piores”. Isso pode invalidar o sofrimento da pessoa.
- Fazer Ameaças ou Pressionar: Não ameace a pessoa com consequências ou pressione-a para tomar decisões rápidas.
- Ignorar o Problema: Não ignore sinais de risco ou suponha que a pessoa vai “melhorar sozinha”.
KING: A síndrome de burnout pode levar ao suicídio?
Maria Carolina: Sim, a síndrome de burnout pode aumentar o risco de suicídio, embora não seja uma causa direta, mas sim um fator de risco significativo.
KING: As escolas já têm esta cultura sobre a prevenção do suicídio?
Maria Carolina: Embora a cultura de prevenção do suicídio nas escolas esteja se expandindo e ganhando espaço, ainda há desafios a serem enfrentados para garantir uma abordagem eficaz, isso vai depender de cada região.
KING: As empresas estão colaborando para a saúde mental dos funcionários?
Maria Carolina: Embora muitas empresas estejam avançando em suas abordagens para promover a saúde mental e apoiar o bem-estar de seus funcionários, ainda há espaço para melhorias. Empresas que investem na saúde mental não apenas ajudam a prevenir problemas graves como o estresse e o burnout, mas também podem ver benefícios significativos em termos de produtividade, engajamento e satisfação dos funcionários.
Maria Carolina Lucena Correia Campos
CRP 02/21932
- Especialista Hospitalar;
- Especialista em Psicooncologia pela PUC-RJ
- Formação em Terapia Cognitivo comportamental;
- Formação em Terapia Cognitivo comportamental na infância e adolescência;
Experiências (atualmente):
- Psicóloga Clínica
- Professora Universitária
- Supervisora clínica
Redes sociais: @carolinalucenac.psi
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